AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹
venancio.prof.historia@gmail.com
O quilombo como experiência histórica
Ao analisar a citação de Nascimento
(2002) [...] um estado de terror organizado contra eles. [...] expressão tenaz
que Nascimento (2002) logo no início do texto demostra a grandeza dessa tese a
ser discorrida, está máxima é perceptível quanto a opressão eurocêntrica para
com para filhos e seus descentes da mãe África, no Brasil os rumos ascendem
mais de quinhentos anos. Refuta, Nascimento (2002) os problemas sociais que os
negros enfrentam em seus cotidianos tais como: questões de cunho empregatício
ou de direitos civis, advindos da sociedade dominante capitalista-burguesa e da
classe média organizada. Para Nascimento (2002) “os mentores europeus e
norte-americanos fabricaram uma "ciência” histórica ou humana que
corroborou com a desumanização dos africanos e de seus descendentes aos quais
contribuíram com as intenções opressoras eurocentristas.
Quilombo segundo os proferimentos de
Nascimento (2002) não está de acordo com a ideia de “escravo fugido”, todavia é
uma “reunião fraterna e livre, regida de solidariedade, convivência, comunhão
existencial”; com um sistema econômico organizado e comunitário, haja vista, a
tradição africana, sendo uma sociedade criativa, o trabalho não é uma condição
de castigo ou um fator exploratório, e sim, com direitos sociais, vieses
humanitários, holísticos e integrais e livres da produção de massa
tecno-capitalista.
Para enriquecer o debate, Clóvis Moura
dialoga com Abdias do Nascimento, Moura (2022, p. 46-47) concorda com
Nascimento (2002) ao pensar que o Quilombo criados nos séculos XV, XVI, XVII,
XVIII e XIX organizavam-se de maneira sistêmica e “não eram um aglomerado de
negro bárbaros”, no entanto no curso de seu crescimento procurava organizar-se
em grupos populacionais do reduto, assim surgiram formas de governo,
propriedade, família, religiões e principalmente economia que era cultura
policultora, o milho era o principal cultivo, colhido duas vezes por ano, após
a colheita a terra descansava por duas semanas, logo após plantavam banana,
batata doce, cana-de-açúcar, feijão e mandioca e o excedente era trocado com os
quilombolas vizinhos.
Referência bibliográfica
MOURA, C. Os quilombos e a rebelião
negra, São Paulo: Editora Dandara, 2022.
NASCIMENTO, A. Quilombismo: um conceito científico histórico-social, Literafro - O portal da literatura Afro-Brasileira (In: O quilombismo: documentos de uma militância panafricanista. 2. ed. Brasília / Rio de Janeiro: Fundação Palmares / OR Editor Produtor, 2002, p. 269-274).
- Audísio Batista Venâncio é pesquisador e professor de história na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo - SEDUC/SP. Licenciado em história pela UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS (UNIMES), especialista lato sensu em: As Áfricas e suas diásporas e em Filosofia Educação pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP), e na UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (UFABC) especializou-se em: História da Ciências, Educação e Sociedade e em Educação Especial e Inclusiva e na FACULDADE DE CARAPICUÍBA (FALC) em Direito Educacional.

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