AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹
venancio.prof.historia@gmail.com
Heroína da
pátria: breve apresentação de quem foi Maria Felipa?
RESUMO:
O
labor deste trabalho acadêmico tem como objetivo investigar a Independência
Brasileira a partir das ações de insurgências baiana, como escopo analisar-se-á
a participação de Maria Felipa, marisqueira insurgiu no cenário de revolta
popular contra a Corte portuguesa, liderando e combatendo marinheiros militares
portugueses, haja vista, a continuidade da defesa da Pátria Brasileira no
território da Bahia e na Ilha de Itaparica – BA as primeiras marcas do conflito
épico soteropolitano.
Palavras
chaves: Bahia, Independência Brasileira, Maria Felipa
INTRODUÇÃO:
O
negacionismo histórico identitário no Brasil é tenaz quando o contexto a
respeito de personagens de classes minoritárias, por exemplo: profissionais
subalternos, pessoas negras, indígenas, homossexuais e mulheres, todavia o
disposto legal da Lei 10.639/03, corrobora com a inclusão no currículo oficial
da Rede de Ensino a obrigatoriedade da presença temática História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, cito mártires
negligenciados ao curso histórico da temporalidade, tais como: Francisco José
do Nascimento, o Dragão do Mar, que liderou a frente abolicionista no estado do
Ceará em 1884, Dr. Luís Gama que defendeu inúmeras teses em defesa dos negros
escravizados no Brasil oitocentistas, Maria José Bezerra (ou Barroso), Maria
Soldado, mulher negra, foi uma enfermeira e combatente na Revolução
Constitucionalista de 1932, que serviu em
hospitais de campanha e nas trincheiras, seu apelido foi presenteado pelos
insurgentes paulistas por sua bravura, entre outros, há uma lista imensa de
heróis e heroínas na história brasileira que estão invisíveis no currículo da
educação nacional, contudo estudaremos a participação épica, na Independência
brasileira, da marisqueira Maria Felipa de Oliveira. Como fonte
de pesquisa iremos analisar o artigo “Maria Felipa de
Oliveira, mulher negra na memória nacional: entrou sem permissão e existe
sem autorização” de autoria de Marina Maia da Silva, dos quais tece narrativa
historiográfica quanto a invisibilidade Maria Felipa no currículo educacional
nacional e a respeito do protagonismo combatente no cenário da Independência
Brasileira.
De marisqueira e capoeirista à heroína da
pátria: quem foi Maria Felipa?
A
força de uma guerreira negra que de marisqueira tornou-se uma combatente épica;
da coragem ao fogo da liberdade que queimou os navios da opressão do Império
português".
Ame o chão
que te sustenta,
Ame o solo que te alimenta,
Honre sua família,
Honre sua pátria.
Lucas
Morgado.
Maria
Felipa de Oliveira não entrou para história brasileira pelo viés oficial
historiográfico, mas pelas memórias coletivas populares da população residente
na Ilha de Itaparica – BA, pontua Silva (2023) tais representações sociais
elencaram o protagonismo de Maria Felipa que dialoga e apresenta uma reflexão a
tradição discursiva da política de branqueamento e democracia racial presente
nos livros didáticos manuseados no espaços escolares brasileiros, Silva (2023)
frisa “por problematizar o
(não) lugar da mulher negra e dos grupos subalternizados nas representações do
processo de construção da nação, dando ênfase as tensões e resistência da
população não branca à desumanização que
lhe foi imposta”. (SILVA,
2023, p. 50)
A
Independência do Brasil no campo histórico oficial é marcado pelo “Grito do
Ipiranga” proferido pelo regente D. Pedro I, as margens do Rio Ipiranga, na
capital de São Paulo, retratada na iconografia de Pedro Américo, ambientada de
diplomacia e elos parentais, o 1º Regente brasileiro foi pressionado por ecos
de “liberdade política”, jus fez a iniciativa deflagrar-se em 07 de setembro de
1822, contudo idos futuros na Bahia o espaço era de horror, somada aos grilhões
da escravidão e da pobreza humana, barões e coronéis estrangeiros ou não,
abastados e exploradores da mão-de-obra de humildes trabalhadores rurais ou
marítimos, no calor dessa anomia em 02 de julho de 1823, a independência
brasileira ao moldes baianos é contraposta as ações do reinado Brasil Algarve,
e sim de classe, orgânica popular, mulheres na labuta da insurgência,
estrategistas habilidosas, ludibriaram os militares portugueses e expulsaram do
território Itaparicano e soteropolitano, nesta saga épica rege a presença de ex-escravizada
Maria Felipa, engajada na milícia Itaparicano popular das vedetas liderou-as,
segundo o historiador Brito (2022) na narrativa da independência há uma guerra
literária, nesta surge não apenas o aparato militar, contudo coletivo popular
miliciano, e nele esta avivado o heroísmo de homens e mulheres Itaparicanos,
quase em sua totalidade, apoiando os revoltosos soteropolitanos, (01:52), Felipa
é personagem forte na causa, Brito (2022) profere que a primeira vez que é dito
a respeito da biografia de Maria Felipa de Oliveira é pelas linhas escritas por
Xavier Marquês (1910), no romance “Sargento Pedro – Tradições da Independência,
publicado em 1910, pela Typographia Bahiana, de C. Melchiades, no imaginário
popular consagra o heroísmo desta negra guerreira e cita “Havemos de comer marotos com pão, dar-lhes de
uma surra de cansanção”; (03:03), o
substantivo cansanção é expresso como metáfora a uma suposta surra agredida aos
militares portugueses que após esse episódio evadiram-se da Ilha de Itaparica,
fato que ascendeu apoio ao movimento na capital baiana, logo também expulsara
as tropas da Corte Portuguesa do estado da Bahia, assim justifica-se a
celebração da independência na data de 02 de julho, em contraponto ao 07 de
setembro oficial nacional.
REFERÊNCIA
BIBILOGRÁFICA:
SILVA, M. M. da; CARDOSO, C.
P. Maria Felipa de Oliveira, mulher negra na memória nacional: entrou sem
permissão e existe sem autorização. Perspectivas e Diálogos: Revista
de História Social e Práticas de Ensino, Caetité, v. 6, n. 12, p.
46–65, 2023. Disponível em: <https://revistas.uneb.br/nhipe/article/view/19130. > Acesso em: 12 out. 2025.
Brito, Felipe.
site TV ARATU SBT, 2023. Heroínas na Bahia: Bicentenário da Independência do
Brasil - EP02 Maria Felipa | Cidade Aratu. Programa Cidade Aratu. Produção
Executiva/Reportagem: Lorena Dias, Raimundo Carvalho/TV ARATU - SBT. YOU TUBE.
2023. 1 vídeo. Duração. 5:01 Disponível em: <https://youtu.be/AZ-Z1K-v-Uw?si=r2vbOqCBnOfa9xQg.> Acesso em: 12 out. 2025.
[1] AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO – Historiador, professor & pesquisador – na SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEDUC - SP, especialista lato sensu em Filosofia para o Ensino Médio (2018) e As Áfricas e suas diásporas. UNIFESP - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (2025) e na UFABC – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (2025). História, Ciência, Educação e Sociedade (2020) e em EDUCAÇÃO ESPECIAL e INCLUSIVA (2025).

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