Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5

Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5
Fonte: Poder Naval, 2009

Diário de um Hilotas Contemporâneo

Heroína da pátria: Maria Felipa.

 

AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹

venancio.prof.historia@gmail.com

 

Heroína da pátria: breve apresentação de quem foi Maria Felipa?


RESUMO:

O labor deste trabalho acadêmico tem como objetivo investigar a Independência Brasileira a partir das ações de insurgências baiana, como escopo analisar-se-á a participação de Maria Felipa, marisqueira insurgiu no cenário de revolta popular contra a Corte portuguesa, liderando e combatendo marinheiros militares portugueses, haja vista, a continuidade da defesa da Pátria Brasileira no território da Bahia e na Ilha de Itaparica – BA as primeiras marcas do conflito épico soteropolitano.

Palavras chaves: Bahia, Independência Brasileira, Maria Felipa


INTRODUÇÃO:

O negacionismo histórico identitário no Brasil é tenaz quando o contexto a respeito de personagens de classes minoritárias, por exemplo: profissionais subalternos, pessoas negras, indígenas, homossexuais e mulheres, todavia o disposto legal da Lei 10.639/03, corrobora com a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da presença temática História  e Cultura Afro-Brasileira e Africana, cito mártires negligenciados ao curso histórico da temporalidade, tais como: Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, que liderou a frente abolicionista no estado do Ceará em 1884, Dr. Luís Gama que defendeu inúmeras teses em defesa dos negros escravizados no Brasil oitocentistas, Maria José Bezerra (ou Barroso), Maria Soldado, mulher negra, foi uma enfermeira e combatente na Revolução Constitucionalista de 1932, que  serviu em hospitais de campanha e nas trincheiras, seu apelido foi presenteado pelos insurgentes paulistas por sua bravura, entre outros, há uma lista imensa de heróis e heroínas na história brasileira que estão invisíveis no currículo da educação nacional, contudo estudaremos a participação épica, na Independência brasileira, da marisqueira Maria Felipa de Oliveira. Como fonte de pesquisa iremos analisar o artigo “Maria Felipa de Oliveira, mulher negra na memória nacional: entrou sem permissão e existe sem autorização” de autoria de Marina Maia da Silva, dos quais tece narrativa historiográfica quanto a invisibilidade Maria Felipa no currículo educacional nacional e a respeito do protagonismo combatente no cenário da Independência Brasileira.

De marisqueira e capoeirista à heroína da pátria: quem foi Maria Felipa?

A força de uma guerreira negra que de marisqueira tornou-se uma combatente épica; da coragem ao fogo da liberdade que queimou os navios da opressão do Império português".

Ame o chão que te sustenta,
Ame o solo que te alimenta,
Honre sua família,
Honre sua pátria.

Lucas Morgado.

Maria Felipa de Oliveira não entrou para história brasileira pelo viés oficial historiográfico, mas pelas memórias coletivas populares da população residente na Ilha de Itaparica – BA, pontua Silva (2023) tais representações sociais elencaram o protagonismo de Maria Felipa que dialoga e apresenta uma reflexão a tradição discursiva da política de branqueamento e democracia racial presente nos livros didáticos manuseados no espaços escolares brasileiros, Silva (2023) frisa “por problematizar o (não) lugar da mulher negra e dos grupos subalternizados nas representações do processo de construção da nação, dando ênfase as tensões e resistência da população não branca à desumanização que  lhe foi imposta”. (SILVA, 2023, p. 50)

A Independência do Brasil no campo histórico oficial é marcado pelo “Grito do Ipiranga” proferido pelo regente D. Pedro I, as margens do Rio Ipiranga, na capital de São Paulo, retratada na iconografia de Pedro Américo, ambientada de diplomacia e elos parentais, o 1º Regente brasileiro foi pressionado por ecos de “liberdade política”, jus fez a iniciativa deflagrar-se em 07 de setembro de 1822, contudo idos futuros na Bahia o espaço era de horror, somada aos grilhões da escravidão e da pobreza humana, barões e coronéis estrangeiros ou não, abastados e exploradores da mão-de-obra de humildes trabalhadores rurais ou marítimos, no calor dessa anomia em 02 de julho de 1823, a independência brasileira ao moldes baianos é contraposta as ações do reinado Brasil Algarve, e sim de classe, orgânica popular, mulheres na labuta da insurgência, estrategistas habilidosas, ludibriaram os militares portugueses e expulsaram do território Itaparicano e soteropolitano, nesta saga épica rege a presença de ex-escravizada Maria Felipa, engajada na milícia Itaparicano popular das vedetas liderou-as, segundo o historiador Brito (2022) na narrativa da independência há uma guerra literária, nesta surge não apenas o aparato militar, contudo coletivo popular miliciano, e nele esta avivado o heroísmo de homens e mulheres Itaparicanos, quase em sua totalidade, apoiando os revoltosos soteropolitanos, (01:52), Felipa é personagem forte na causa, Brito (2022) profere que a primeira vez que é dito a respeito da biografia de Maria Felipa de Oliveira é pelas linhas escritas por Xavier Marquês (1910), no romance “Sargento Pedro – Tradições da Independência, publicado em 1910, pela Typographia Bahiana, de C. Melchiades, no imaginário popular consagra o heroísmo desta negra guerreira e cita “Havemos de comer marotos com pão, dar-lhes de uma surra de cansanção”; (03:03), o substantivo cansanção é expresso como metáfora a uma suposta surra agredida aos militares portugueses que após esse episódio evadiram-se da Ilha de Itaparica, fato que ascendeu apoio ao movimento na capital baiana, logo também expulsara as tropas da Corte Portuguesa do estado da Bahia, assim justifica-se a celebração da independência na data de 02 de julho, em contraponto ao 07 de setembro oficial nacional.

REFERÊNCIA BIBILOGRÁFICA:

SILVA, M. M. da; CARDOSO, C. P. Maria Felipa de Oliveira, mulher negra na memória nacional: entrou sem permissão e existe sem autorização. Perspectivas e Diálogos: Revista de História Social e Práticas de Ensino, Caetité, v. 6, n. 12, p. 46–65, 2023. Disponível em: <https://revistas.uneb.br/nhipe/article/view/19130. > Acesso em: 12 out. 2025. 

 

Brito, Felipe. site TV ARATU SBT, 2023. Heroínas na Bahia: Bicentenário da Independência do Brasil - EP02 Maria Felipa | Cidade Aratu. Programa Cidade Aratu. Produção Executiva/Reportagem: Lorena Dias, Raimundo Carvalho/TV ARATU - SBT. YOU TUBE. 2023. 1 vídeo. Duração. 5:01 Disponível em: <https://youtu.be/AZ-Z1K-v-Uw?si=r2vbOqCBnOfa9xQg.> Acesso em: 12 out. 2025.





[1] AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO – Historiador, professor  & pesquisador – na SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEDUC - SP, especialista lato sensu em Filosofia para o Ensino Médio (2018) e As Áfricas e suas diásporas. UNIFESP - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (2025) e na UFABC – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (2025). História, Ciência, Educação e Sociedade (2020) e em EDUCAÇÃO ESPECIAL e INCLUSIVA (2025).

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