AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹
venancio.prof.historia@gmail.com
FIGURA I -
SPERB, Paula. Portal. Folha de São Paulo, 2020
É importante registrar que, no referido curso é percebido a participação das mulheres no cenário de conflitos bélicos, seja no combate físico e intelectual seja com participação tenaz altruísta, nesse caso, apresento a biografia de uma paulistas que contribuiu com essa ótica belicosa, no front anti-nazifacista: Capitã Bertha de Moraes (30:57), obstante seu nome e sua biografia não está citada no escopo sequência do Currículo das Secretarias Municipais e Estaduais de São Paulo, todavia em sua cidade natal Santana de Parnaíba há um Centro de Memória que a homenageia como Patrona – CEMIC - Centro de Memória e Integração Cultural Capitão Bertha Moraes Nérici.
As motivações que levaram o Brasil entrar no
conflito da 2ª Guerra Mundial (01/09/1939 a 02/09/1945) foram afundamento de
vários navios mercantes de bandeira brasileira perpetrados pelos navios e submarinos
da Alemanha e da Itália, levando a óbito centenas de brasileiros. Assim,
alistou-se as primeiras militares enfermeiras no Corpo de Enfermagem da Força
Expedicionária Brasileira – FEB.
Bertha de Moraes Nérici, nasceu em 02/11/1921, no
estado de São Paulo na cidade de Santana de Parnaíba, filha de Antonio Cunha de
Moraes e Palmyra Oliveira de Moraes, foi casada com o educador professor Imídeo
Giuseppe Nérici, no registro de casamento foi inserindo o sobrenome Nérici, Professor
Nérici dirigiu, por vários anos, o Colégio e Escola Normal Estadual de Campos
do Jordão, o saudoso CEENE. O casal teve um único filho o Sr. Bruno Nérici.
Bertha com (21) vinte e um anos de idade, residia com
sua irmã, na cidade do Rio do Janeiro, a única militar paulista partiu de Natal
- RN para a Europa, via aérea, com o 2º grupo, com destino a Nápoles, na
Itália, e se incorporou a uma das unidades do V Exército Norte-Americano,
comandado pelo general Mark Clark. Objetivando prestar serviço como voluntária
socorrista no palco de guerra da 2ª Guerra Mundial, no combate ao nazifascismo,
comenta Rocha (2018) que a paulista serviu “No front
serviu nos seguintes hospitais de Sangue Norte-Americanos, nas Enfermarias
Cirúrgicas: 10th Station Hospital, em Cevitavecchia e no 64th General Hospital,
em Ardenza. Nas Salas de Operações: 38th Evacuation Hospital (Santa Lucce), em
Cecina e Pisa. Foi integrada no 24th General Hospital, em Florença, Marzabotto,
Parola e Salssomaggiore, 16th Evacuation Hospital, em Pistoia, 15th Evacuation
Hospital, em Corvela e, finalmente, aguardando a ordem de retorno ao Brasil, no
35nd Field Hospital, em Sparanise (Nápoles)”. (ROCHA, 2018)
Frisa Rocha (2018) que a enfermeira Bertha de Moraes retornou ao Brasil no dia 03 de outubro de 1945, embarcada no navio militar James Parker, sendo o último grupo de militares em retorno de missão ao Brasil, após ao serviço prestado no front foi promovida ao posto de 1º Tenente e, posteriormente ao posto de Capitã, licenciando-se do Serviço Ativo do Exército em 28 de dezembro de 1945, sendo condecorada pelo Exército Brasileiro com a Medalha de Guerra e Medalha de Campanha.” (Altamira Pereira Valadares – Álbum Biográfico das Febianas – Batatais/SP – Centro de Documentação Histórica do Brasil, 1976.); escreveu suas memórias da caserna no livro: “Testamento de uma Enfermeira” de 2001, página 196. Pontua Oliveira (2010) que as febianas contribuíram com a historiografia do Corpo de Saúde do Exército, em 1947, ao fazerem seus registros biográficos e históricos locais, inferindo informações a respeito da nobre missão de amparo socorrista junto aos combatentes em cenário de guerra (II Guerra Mundial), assim estes apontamentos estão disponibilizados no livro de Depoimento de Oficiais da Reserva da Força Expedicionária Brasileira.
Referência bibliográfica:
PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTANA DE PARNAÍBA. Site. Museu Anhanguera, 2025. Entrevista. Bertha Moraes Nérici - Projeto Memória Viva. MUSEU ANHANGUERA 2025. 1. Vídeo. YOU TUBE. Duração. 30:57. 06 out. 2025. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=v8ehCqXbt0k > Acesso em: 25 out. 2025.
OLIVEIRA,
Alexandre Barbosa de. Enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira no
front do pós-guerra: o processo de reinclusão no Serviço Militar Ativo do
Exército (1945-1957). Tese (Doutorado em Enfermagem) – Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: <https://www.yumpu.com/pt/document/view/13105583/texto-completo-ufrj> acesso em: 25 out. 2025.
ROCHA, Edmundo Ferreira da. Site.
Campos do Jordão Cultura, 2018. Reportagem. Bertha Moraes Nérici - Projeto
Memória Viva. CAMPOS DO JORDÃO CULTURA 2018. 12 dez. 2018. Disponível
em: <http://www.camposdojordaocultura.com.br/homenagem-det.asp?Homenageado=13>
Acesso em: 25 out. 2025.
SPERB, Paula. Enfermeiras brasileiras marcaram protagonismo feminino na 2ª Guerra Mundial. - Pioneiras, voluntárias da FEB (Força Expedicionária Brasileira) passaram por treinamento militar e físico. Paula Sperb. Porto Alegre - RS. Site. Folha de São Paulo, 2020. Reportagem. FOLHA MULHER FOLHA DE SÃO PAULO, 2020 mar. 2020. Disponível em: <Enfermeiras brasileiras marcaram protagonismo feminino na 2ª Guerra Mundial - 08/03/2020 - Poder - Folha.> Acesso em: 03 mai. 2026.
Audísio Batista Venâncio é pesquisador e professor de história na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo - SEDUC/SP. Licenciado em história pela UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS (UNIMES), especialista lato sensu em: As Áfricas e suas diásporas e em Filosofia Educação pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP), e na UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (UFABC) especializou-se em: História da Ciências, Educação e Sociedade e em Educação Especial e Inclusiva e na FACULDADE DE CARAPICUÍBA (FALC) em Direito Educacional.

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