AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹
venancio.prof.historia@gmail.com
FIGURA 1 - Maltas e Crioulagem
Fonte: museu da capoeira, 2020
Os guaiamus cantavam:
Terezinha de Jesus
Abre a porta apaga luz
Quero ver morrer nagoa
A porta do Bom Jesus
Os nagoas respondiam:
O castelo içou bandeira
São Francisco repicou
Guaiamu está reclamando
Manoel preto já chegou.
📌 O que eram as maltas?
As maltas no século XIX eram grupos organizados ligados ao jogo e a luta de capoeira, principalmente no Rio de Janeiro, elas surgiram no contexto urbano do Brasil Imperial.
As maltas eram associações ou “gangues” de capoeiristas, compostas em grande parte por:
-
Escravizados
-
Negros libertos
-
Trabalhadores pobres
Organizações de capoeiras na sociedade urbana no II Reinado.
Na sociedade imperial do Segundo Reinado, no final do século XIX, no Rio de Janeiro, existiu
o cortiço Cabeça de Porco (devido ter uma figura da cabeça de um porco na entrada)próximo Central do Brasil, localizado na Rua: Barão de São Félix.
Nessa moradia habitavam pessoas humildes, escravizados e negros libertos, aos quais muitos eram capoeiras.
Foi demolido em 26 de janeiro de 1893, pelo prefeito Barata Ribeiro, devido a insalubridade
e a criminalidade, marcando o inicio de uma política de higienização urbana.
A consequência dessa desapropriação foi a apropriação do Morro da Providência, primeira
favela urbana.
Fato interessante em caráter cultural foi a obra literária "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo,
inspiração poética.
Capoeiras à época organizavam-se em maltas (gangues) destaque para os guaiamuns e os nagoas.
Referências Bibliográficas
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HOLLOWAY, Thomas H. “O Saudável terror” Repressão policial aos capoeiras e resistência dos escravos no Rio de
Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro, Revista do centro de
estudos afro-asiáticos, 16, 1989.
SOARES, Carlos Eugênio Libano. A negregada instituição.
Os capoeiras no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Ed. Secretaria
Municipal de Cultura, 1994.
___________ A capoeira escrava no Rio de Janeiro 1808-1850.
Campinas, Tese de doutorado, Unicamp, 1998.
PIRES, Antonio Liberac Cardoso Simões. A Capoeira no jogo
das cores. Criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de
Janeiro (1890-1930). Campinas, Dissertação de mestrado, Unicamp. 1996.
ALMEIDA, Manoel Antonio de. Memórias de um sargento de
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AGPMERJ – Correspondências recebidas – 16/11/1932.
ABREU, Plácido de Abreu. Os capoeiras. Rio de Janeiro, Tipografia da escola de Serafin José Alves, sd.
DIAS, Luiz Sérgio. Quem tem medo da capoeira? 1890-1906.
Rio de Janeiro, tese de mestrado no departamento de história da UFRJ, 1993, p. 110
SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade. Petrópolis, Vozes, 1988, p.54
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