Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5

Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5
Fonte: Poder Naval, 2009

Diário de um Hilotas Contemporâneo

As maltas no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX.



AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO¹

venancio.prof.historia@gmail.com

 

FIGURA 1 - Maltas e Crioulagem

Fonte: museu da capoeira, 2020

Os guaiamus cantavam: 

Terezinha de Jesus 

Abre a porta apaga luz 

Quero ver morrer nagoa 

A porta do Bom Jesus

 Os nagoas respondiam: 

O castelo içou bandeira 

São Francisco repicou 

Guaiamu está reclamando 

Manoel preto já chegou.

 

📌 O que eram as maltas?

 As maltas no século XIX eram grupos organizados ligados ao jogo e a luta de capoeira, principalmente no Rio de Janeiro, elas surgiram no contexto urbano do Brasil Imperial.

As maltas eram associações ou “gangues” de capoeiristas, compostas em grande parte por:

  • Escravizados
  • Negros libertos
  • Trabalhadores pobres

Organizações de capoeiras na sociedade urbana no II Reinado.
o cortiço Cabeça de Porco (devido ter uma figura da cabeça de um porco na entrada)próximo Central do Brasil, localizado na Rua: Barão de São Félix.

Nessa moradia habitavam pessoas humildes, escravizados e negros libertos, aos quais muitos eram capoeiras. 

Foi demolido em 26 de janeiro de 1893, pelo prefeito Barata Ribeiro, devido a insalubridade
e a criminalidade, marcando o inicio de uma política de higienização urbana.
A consequência dessa desapropriação foi a apropriação do Morro da Providência, primeira 
favela urbana.

Fato interessante em caráter cultural foi a obra literária "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo,
inspiração poética.

Capoeiras à época organizavam-se em maltas (gangues) destaque para    os guaiamuns e os nagoas.


Referências Bibliográficas

ALGRANTI, Leila Mezan . O feitor ausente: estudos sobre a escravidão urbana no Rio de Janeiro. 1808-1822. Petrópolis, Vozes, 1988.

HOLLOWAY, Thomas H. “O Saudável terror” Repressão policial aos capoeiras e resistência dos escravos no Rio de Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro, Revista do centro de estudos afro-asiáticos, 16, 1989. 

SOARES, Carlos Eugênio Libano. A negregada instituição. Os capoeiras no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Ed. Secretaria Municipal de Cultura, 1994. 

___________ A capoeira escrava no Rio de Janeiro 1808-1850. Campinas, Tese de doutorado, Unicamp, 1998.

PIRES, Antonio Liberac Cardoso Simões. A Capoeira no jogo das cores. Criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de Janeiro (1890-1930). Campinas, Dissertação de mestrado, Unicamp. 1996.

ALMEIDA, Manoel Antonio de. Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro, Ed. Crítica, 1978.

AGPMERJ – Correspondências recebidas – 16/11/1932.

ABREU, Plácido de Abreu. Os capoeiras. Rio de Janeiro, Tipografia da escola de Serafin José Alves, sd. 

DIAS, Luiz Sérgio. Quem tem medo da capoeira? 1890-1906. Rio de Janeiro, tese de mestrado no departamento de história da UFRJ, 1993, p. 110

SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade. Petrópolis, Vozes, 1988, p.54




[1] AUDÍSIO BATISTA VENÂNCIO – Historiador, professor  & pesquisador – na SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEDUC - SP, especialista lato sensu em Filosofia para o Ensino Médio (2018) e As Áfricas e suas diásporas. UNIFESP - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (2025) e na UFABC – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (2025). História, Ciência, Educação e Sociedade (2020) e em EDUCAÇÃO ESPECIAL e INCLUSIVA (2025).

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