Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5

Flotilha de Submersíveis (1914) - F1 F3 E F5
Fonte: Poder Naval, 2009

Diário de um Hilotas Contemporâneo

Caríssimo Helinho, Anjo de Oxalá.


São Paulo, 06 de março de 2025.

Bons ventos te encontrem, que os mares de Iemanjá abençoem os rumos da tua vida. Em outrora, comentei contigo a iniciativa de iniciar o curso de diáspora africana na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, firmo, iniciei e já estou próximo de concluir, friso e felicito-me com aulas master, docentes e tutores proficientes, nessa missiva agradeço-lhe o incentivo que você proporcionou, ratifico o retorno intelectual e profissional junto ao corpo discente aos quais compartilho o supracitado saber.

Nobre docente, desejo dialogar contigo, nesta, tecendo este texto e no futuro uma conversa amiga e informal, uma reflexão jurídico histórica, sendo o protagonista dessa narrativa o Ilustríssimo Doutor Luiz Gama, que ambos sabemos a amplitude do legado desse abolicionista e a referência para os descendentes da “MÃE ÁFRICA”, enobrece-me na vigência eu poder transmitir informações de suma importância aos amigos (as) docentes e aos queridos (as) discentes, haja vista, discorrer a luz da biografia de Dr. Gama, extraído das aulas do curso lato sensu Áfricas e suas Diásporas na UNIFESP, ao qual analiso a linha temporal correlata a Lei Feijó, satirizada pelos críticos como “Lei para inglês ver”, disposto legal promulgado em 07 de novembro de 1831, conteúdos ministrados pela professora Dra. Lígia Fonseca Ferreira, docente da UNIFESP, em videoaula, aprendi que nos idos épicos de Gama esse nome da referida lei não existia, devido a corte imperial não abordar relevância aos direitos humanos ligados aos escravizados, já havia dispostos legais, todavia esquecidos ou até ignorados pelos magistrados, aos quais anos rumaram e estes aportes legais não obtiveram seus cumprimentos, e sim, logo que o advogado provisionado (autodidata [temo utilizado em tempos contemporâneos]) Dr. Luís Gama assumiu o interesse e a defesa desses desvalidos do judiciário imperial. Em 2015, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, concedeu o título de advogado, devido aos seus préstimos no judiciário paulista e brasileiro, ele defendeu libertando mais de 500 escravizados.

A referida lei em seus incisos declarava livres todos os escravizados oriundo de terras estrangeiras, ou seja, traslados fora do Império, impondo penas aos importadores de escravizados, entretanto por quase quarenta anos, esses direitos foram postergados, havidos de descasos e engavetados até ser resgatada por Luiz Gama na década de 1860.

Caro amigo, tive a oportunidade de visitar o túmulo do Doutor Gama, no Cemitério da Consolação, momento ímpar devido magnitude ao respeito que tenho por este herói abolicionista, diante dele fiquei emocionado levando os meus pensamentos ao campo do imaginário, ir à São Paulo do século XIX, longe da nossa megalópole assim instaurada na selva de pedra vigente, imaginei os horrores cometidos as pessoas negras, as violências exacerbadas, estupros e entre outras nefastas ações cometidas a essa população. Todavia, Dr. Luiz Gama é uma referência heroica ao movimento negro paulista e nacional, exemplo de homenagens seu busto/monumento de Yolando Mallozzi, localizado no largo do Arouche, centro do município paulistano, criado em 22 de novembro de 1931, a obra foi produzida com granito, bronze e concreto retrata o primeiro monumento público na cidade de São Paulo a prestar homenagem a um líder negro, no bairro do Cambuci, cito a rua em seu nome, contrato firmado entre a Câmara Municipal e o empreiteiro Alfredo Augusto Ferreira Braga, no dia 27 de agosto de 1884, foi enviado aos vereadores um abaixo assinado pedindo que a rua aberta entre a Glória e a Mooca fosse denominada Rua: Luiz Gama, solicitação essa aprovada, recentemente tive no local, nobre amigo, triste realidade urbana e social, lá avistei o descaso público, encontra-se abandonado e sujo e habitam grupos de usuários de entorpecentes lícito e ilícito, penso que nosso protagonista que tanto lutou pelos direitos dos povos minoritários e invisíveis se cocharia ao deparar com visual presente e fã do nosso guerreiro doutor não perderia jamais a oportunidade de assistir o drama biográfico do Diretor Jeferso de, com título de “Doutor Gama”, produzido por companhia de produtoras, tais como, Buda Filmes, Globo Filmes, Paranoid e ganhou prêmios como: Grande Otelo do Cinema Brasileiro – melhor atriz coadjuvante de Longa-metragem, reproduzi para os discentes dos nonos anos e discuti a pauta em roda de conversa, desejaria que tivesse a oportunidade de praticar conosco riquíssimo debate, a aluna Maria do 9º C, pontuou sua experiência como jovem estrangeira, africana, vivendo em solo paulistano e os estudantes Cauã e Ester do 9º A contribuíram ao debater o cotidiano de adolescentes periféricos residindo em comunidade emergentes, locais subjugados pelo crime organizado, abordagem excessivas por parte de agentes públicos, preconceito pela raça e classe social entre outras mazelas anômicas.

Helinho, Deus abençoe-o grandemente. Sucessos!

Seu eterno amigo, Venâncio.

Audísio Batista Venâncio é pesquisador e professor de história na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo - SEDUC/SP. Licenciado em história pela UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS (UNIMES), especialista lato sensu em: As Áfricas e suas diásporas e em Filosofia Educação pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP), e na UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (UFABC) especializou-se em: História da Ciências, Educação e Sociedade e em Educação Especial e Inclusiva e na FACULDADE DE CARAPICUÍBA (FALC) em Direito Educacional.

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